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Today: 3 de fevereiro de 2026
8 de janeiro de 2026
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O que está acontecendo com a Internet no Brasil?

A internet que usamos todos os dias está passando por uma transformação profunda e estrutural. Dois elementos essenciais dessa mudança são a consolidação do protocolo HTTP/3 e a transição acelerada para o IPv6. Essas atualizações técnicas vêm sendo adotadas em escala global e agora avançam com força no Brasil. Elas impactam desde a experiência do usuário comum até o desempenho de aplicações críticas, passando por aspectos fundamentais de infraestrutura, segurança e escalabilidade. Para empresas, governos e provedores de tecnologia, entender e acompanhar essa transformação não é mais uma escolha, é um passo necessário para continuar operando com competitividade, segurança e visão de futuro.

HTTP/3: mais velocidade, menos latência

O HTTP é o protocolo responsável por transportar dados entre navegadores, aplicações e servidores. Ao longo do tempo, evoluiu para acompanhar o crescimento da web. A versão mais recente, HTTP/3, é uma mudança estrutural relevante. Ao contrário das versões anteriores, que utilizam o protocolo TCP, o HTTP/3 opera sobre QUIC, uma nova tecnologia baseada em UDP. Essa mudança permite conexões mais rápidas, com menos atrasos e melhor aproveitamento da rede, especialmente em dispositivos móveis ou ambientes instáveis. 

Por que isso importa?

  • Conexões mais rápidas, com inicialização quase instantânea; 
  • Capacidade de processar várias requisições simultaneamente, sem bloqueios; 
  • Menor impacto de perda de pacotes, mantendo a fluidez da comunicação; 
  • Criptografia incorporada como padrão, com TLS 1.3 desde a origem da conexão.

Essa evolução melhora significativamente a performance de aplicações em tempo real, como sistemas bancários, videoconferência, e-commerce e plataformas móveis.

IPv6: o novo endereço da internet

A internet atual ainda funciona majoritariamente com IPv4, um protocolo criado nos anos 1980 que já atingiu o limite de endereços disponíveis. Para contornar essa limitação, redes passaram a usar soluções como NAT (Network Address Translation) e CGNAT, que aumentam a complexidade e reduzem o desempenho. O IPv6 resolve esse problema. Ele expande drasticamente a quantidade de endereços disponíveis e elimina a necessidade de NAT, permitindo conexões mais diretas, rápidas e seguras entre dispositivos.

Benefícios práticos do IPv6:

  • Mais performance em conexões ponto a ponto; 
  • Redução de latência em redes congestionadas;
  • Melhor suporte a aplicações móveis, IoT e ambientes distribuídos; 
  • Maior capacidade de rastreamento e controle de tráfego; 
  • Integração nativa com protocolos de segurança como IPse;

No Brasil, mais de 50% do tráfego já é IPv6, e operadoras como Claro, Vivo, TIM e ISPs regionais já operam com redes quase totalmente adaptadas.

Impactos no uso cotidiano

Para o usuário comum, essas mudanças se traduzem em: 

  • Aplicações que abrem mais rápido, mesmo com conexão limitada; 
  • Jogos e chamadas de vídeo com menos atraso e interrupções;
  • Menor risco de falhas em transações bancárias ou acessos a plataformas digitais; 
  • Melhor desempenho em redes Wi-Fi públicas ou congestionadas;

Mesmo sem perceber, o usuário se beneficia diretamente de uma infraestrutura mais moderna e eficiente.

O que muda para as empresas?

Do ponto de vista corporativo, a adoção de HTTP/3 e IPv6 afeta diretamente a operação digital. Empresas que não se adaptam a essas novas camadas passam a operar com menor performance, maior latência, e risco de incompatibilidade com redes modernas. 

Principais riscos:

  • Dificuldade de escalar aplicações para grandes volumes de usuários; 
  • Falhas em acessos via redes móveis que já operam com IPv6 nativo; 
  • Maior dependência de equipamentos intermediários (NATs, proxies);
  • Incompatibilidade com APIs modernas e provedores cloud IPv6-only; 
  • Aumento de custo operacional com manutenção de infraestruturas legadas.

A infraestrutura da internet está mudando, e empresas que continuam presas a modelos antigos ficam limitadas na capacidade de inovar e entregar valor.

Cibersegurança: novas tecnologias, nova superfície de ataque

A transição para IPv6 e HTTP/3 também exige revisões profundas nas estratégias de cibersegurança. Isso porque essas tecnologias mudam a forma como o tráfego circula e como os controles de rede operam.

Desafios com HTTP/3:

  • O tráfego é criptografado nativamente com TLS 1.3, o que dificulta a inspeção por firewalls tradicionais; 
  • Ferramentas de segurança baseadas em TCP não interpretam corretamente conexões QUIC;
  • Técnicas de mitigação de ataques DDoS precisam ser reavaliadas para UDP;
  • Sistemas de monitoramento e detecção de intrusão (IDS/IPS) precisam ser atualizados para processar novos tipos de pacotes.

Desafios com IPv6:

  • Cada dispositivo pode ter um IP público, aumentando a exposição caso não haja segmentação correta;
  • Regras de firewall precisam ser adaptadas para funcionar com precisão em ambiente IPv6; 
  • Ferramentas de logging e rastreamento devem ser compatíveis com o novo formato de endereços;
  • Protocolos como ICMPv6 e SLAAC, essenciais para IPv6, precisam ser controlados para evitar uso malicioso.

Exemplo prático: equipamentos como o FortiGate, da Fortinet, já possuem suporte nativo completo a IPv6 e HTTP/3, mas dependem de configuração manual de políticas específicas. Ou seja, ativar o protocolo na interface não é suficiente. É preciso garantir que regras de filtragem, logging, VPN e inspeção estejam corretamente ajustadas. Sem isso, tráfegos perigosos podem passar despercebidos.

Como a Ivy Group S/A apoia essa transição

A Ivy atua diretamente na modernização da infraestrutura digital de seus clientes, com um plano completo de avaliação, distribuição e implementação de tecnologias compatíveis com os novos padrões da internet. Nosso processo envolve:

  • Diagnóstico técnico de equipamentos e sistemas existentes; 
  • Planejamento de endereçamento IPv6 e estratégia dual stack; 
  • Configuração de aplicações e serviços para uso otimizado do HTTP/3; 
  • Implementação de equipamentos de segurança Fortinet, com regras específicas para IPv6 e QUIC; 
  • Treinamento técnico para equipes de redes e segurança; 
  • Acompanhamento pós-implantação com foco em performance, segurança e conformidade.

Além de distribuir equipamentos modernos, oferecemos também um plano de adoção estruturado, com foco em redução de riscos, escalabilidade e aderência regulatória. 

Trabalhamos com grandes empresas, instituições financeiras e operadoras para garantir que suas redes estejam não apenas preparadas, mas otimizadas para o novo ciclo da internet.

O próximo ciclo exige decisões técnicas com leitura estratégica. É nesse ponto que infraestrutura, segurança e negócio precisam convergir.

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